domingo, 7 de março de 2010

Envelhecer em beleza

Equilibrar o nosso mundo interior com o mundo exterior, que dividimos com os outros e onde existem padrões de beleza definidos, não é fácil. Há estudos que demonstram claramente que é difícil mantermo-nos indiferentes aos conceitos de beleza, juventude e idade existentes na sociedade. De alguma forma, eles afectam a nossa auto-imagem e a nossa auto-estima.

Mulheres com mais de 50 anos foram inquiridas em todo o mundo sobre o envelhecimento e as mudanças que daí advêm a nível de beleza, importância social, sexualidade e expectativas que sentiam que a sociedade lhes impunha. As respostas demonstraram que a maioria acreditava nos estereótipos que se alimentam relativamente à sua falta de produtividade e de que estarão longe do ideal de beleza.

Hoje, podemos falar no antes e no depois de Dove. A campanha inovadora e arrojada ajudou a mudar um pouco a perspectiva do mundo sobre os conceitos de beleza e juventude, ao colocar no ecrã mulheres com mais de 45 anos, bonitas, charmosas e sedutoras, que assumiam as suas rugas, e ao lançar o slogan: “Dove sabe que a Beleza real pode ter vários tamanhos, formas e idades.”

Seja como for, há factores de peso que influenciam o nosso olhar sobre nós, tornando-nos mais ou menos resistentes aos padrões de beleza existentes em determinado tempo histórico e social, garante Ana Crespo. “Estar ou não contente com o corpo tem a ver com a maneira como eu consigo, ou não, resistir ao padrão de poder dominante que me diz que o ideal de beleza é ser-se magro e jovem, por exemplo. Se eu tiver ganho mais flexibilidade em relação a mim, se eu estiver mais segura, eu resisto melhor. Pelo contrário, se estiver mais frágil, não vou aguentar sentir-me rejeitada”, explica, sublinhando o facto das pessoas “poderem ser gostadas com condições”.

Quando se está bem ancorada resiste-se melhor ao exterior, em crise é mais complicado. “Não está garantido que se fique sempre forte para encarar tudo. Mas há uma diferença entre isso e estar completamente à mercê do poder [que dita o que é ideal].” O medo de ver os sinais da passagem do tempo é compreensível no contexto da sociedade do século XXI, mas é mais ou menos doloroso de acordo com a forma como a pessoa se sente no mundo, garante Ana Crespo, sublinhando: “Envelhecer não é fácil, mas a finitude é um bem. Pensamos a partir dela e é a partir dela que nos vamos constituindo como sujeitos.” E podemos pensar porque é verdade: a beleza está muito além da idade!

Máxima.xl

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